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Justificativa

Desde a segunda metade da década de 1970, a violência criminal tem se revelado um dos principais problemas da agenda pública no Brasil. Ao longo das décadas seguintes, a questão ganha proporções ainda maiores e, desde então, sua dramaticidade só tem se acirrado. A magnitude do problema e seus desdobramentos funestos para a política, a economia, assim como para a própria civilidade da dinâmica social brasileira têm levado, nos últimos vinte anos, à mobilização de profissionais das mais diversas áreas. Entender as dinâmicas que alimentam a criminalidade, definir suas causas e buscar soluções para lidar com o problema tem sido um desafio do qual alguns pesquisadores das áreas de ciências sociais têm participado com empenho.
A violência é um marco da sociabilidade contemporânea brasileira e, hoje, um dos maiores entraves para a consolidação da democracia no país. Asssim, a violência se impõe como um problema cuja abordagem é um imperativo para aqueles que se batem pela universalização do Estado de Direito. Embora não poucos esforços venham sendo feitos nos últimos anos, há uma agenda enorme a ser cumprida e um papel da maior relevância a ser cumprido por pesquisadores das mais diversas áreas. Nesse contexto, diante da relevância das questões impostas, do papel que a UERJ tem a cumprir nesse processo e da feliz coincidência que fez com que o Departamento de Ciências Sociais dessa universidade dispusesse de recursos humanos qualificados para dar sua contribuição, foi instituído, em 2002, o Laboratório de Análises da Violência (LAV).



Formato Institucional
Os recursos técnicos e humanos do laboratório visam atender, indistintamente, os estudantes de graduação, pós-graduação latu sensu e pós-graduação strictu sensu do Departamento de Ciências Sociais. Por essa razão, optou-se pela instalação do laboratório no âmbito da Oficina de Ensino e Pesquisa do Departamento de Ciências Sociais, inscrevendo-se, assim, como um programa de extensão.
O laboratório integra a linha Justiça e Desigualdade nas Práticas Sócio-Políticas, e tem como coordenadores os professores Ignácio Cano e João Trajano Sento-Sé, principais responsáveis pela sua implementação. Formam parte do laboratório os professores Ignácio Cano, João Trajano Sento-Sé e José Augusto Rodrigues, todos professores/pesquisadores com larga e reconhecida experiência na área, e diversos estudantes de graduação e pós-graduação que participam em cursos, pesquisas e palestras.
A formação original do laboratório não exclui a incorporação de outros profissionais do departamento de Ciências Sociais, das demais unidades da UERJ, ou de outras instituições, na qualidade de pesquisadores colaboradores ou de futuros membros permanentes. De acordo com os objetivos listados no item anterior, a estrutura operacional do laboratório deverá ficar a cargo de estudantes de ciências sociais, recrutados segundo seus interesses de pesquisa e mérito acadêmico, e sua remuneração será feita mediante bolsas de estudo segundo os modelos das agências de fomento. O LAV conta atualmente com cerca de 10 colaboradores, entre professores, alunos de graduação e pós-graduação e professores.


Objetivos
O LAV tem como objetivos gerais, a produção de conhecimento aplicado nas áreas de segurança pública, violência e criminalidade, justiça e direitos humanos, assim como a manutenção de uma constante interação com um público interno e externo à universidade. Vale ressaltar, que a instituição, além do desenvolvimento de pesquisa aplicada, oferece ainda serviços de consultoria, para órgãos públicos, ONGs e movimentos sociais, e trabalha na organização de cursos, eventos e seminários, assim como em projetos que tratam de formulação, condução e avaliação de políticas públicas.
O laboratório surge então como uma possibilidade de dotar de maior organicidade e articulação algumas das iniciativas de pesquisa, de orientação de alunos e de treinamento desenvolvidas antes separadamente pelos professores fundadores, que se dedicam, já há alguns anos, ao desenvolvimento de trabalhos de investigação nas áreas de violência, criminalidade, segurança pública com resultados largamente reconhecidos e avalizados pela comunidade científica.

O LAV tem como objetivos mais específicos:

1. Estimular os alunos do Departamento de Ciências Sociais a realizarem trabalhos nessa área, oferecendo aos mesmos, condições efetivas de iniciação e amadurecimento na feitura de trabalhos científicos;
2. Criar um espaço permanente de diálogo e colaboração entre as diversas iniciativas nessa área desenvolvidas por outras instituições acadêmicas ou de outro tipo, propiciando um ambiente favorável para o debate, principalmente através da organização de palestras e seminários;
3. Organizar cursos de formação em segurança pública para estudantes e profissionais da segurança;
4. Consolidar o Departamento de Ciências Sociais como um espaço de referência na grande área de violência;
5. Montar um banco de dados permanentemente atualizado, que sirva de fonte de informações para estudantes, pesquisadores, a imprensa e o público em geral.
6. Gerar indicadores sintéticos para monitorar a evolução da violência, criminalidade e segurança pública;
7. Fazer do laboratório um centro de monitoramento e avaliação dos impactos das políticas públicas na área de segurança;
8. Contribuir, com diagnósticos e propostas, para a melhoria das políticas de segurança no Rio de Janeiro e em outros centros;
9. Consolidar o Departamento de Ciências Sociais da UERJ como parceiro de instituições nacionais e internacionais em iniciativas de pesquisa, monitoramento e formulação de políticas para a área de segurança pública;